Viagem técnica da 13ª turma do Programa de Formação de Jovens Lideranças Cooperativistas amplia conhecimentos sobre sucessão, liderança e intercooperação
Preparar as novas gerações para os desafios do agronegócio e do cooperativismo exige conhecimento, experiências práticas e contato com diferentes realidades. Foi com esse propósito que os participantes da 13ª turma do Programa de Formação de Jovens Lideranças Cooperativistas da COMIGO realizaram uma viagem técnica por São Paulo e Paraná, entre os dias 27 e 30 de julho. O programa conta com o apoio do Sistema OCB/GO, por meio do Sescoop/GO.
Durante quatro dias, os jovens conheceram empresas, instituições de ensino e cooperativas, participaram de atividades de liderança e tiveram contato com diferentes modelos de gestão e atuação no agronegócio. Mais do que conhecer novas estruturas e processos, a experiência proporcionou reflexões sobre sucessão familiar, inovação, intercooperação e o papel das novas gerações no futuro do campo e do cooperativismo.
Para Siomara Martins, coordenadora de desenvolvimento de cooperados da COMIGO, a experiência complementa a formação dos jovens ao proporcionar contato direto com organizações e profissionais que vivenciam, na prática, os desafios abordados durante o programa. “A viagem técnica é um momento muito importante dentro da formação porque permite que os jovens saiam da sala de aula e vivenciem outras realidades. Eles têm a oportunidade de conhecer empresas e cooperativas, conversar com lideranças, observar diferentes formas de atuação e, principalmente, refletir sobre o papel que poderão assumir no futuro. É uma experiência que amplia conhecimentos, fortalece vínculos e contribui para a formação de novas lideranças para a COMIGO e para o cooperativismo.”, avalia Siomara.
Conectando gerações
A primeira parada da viagem foi em Paulópolis, distrito de Pompeia (SP), onde a turma visitou a fábrica da Jacto e conheceu de perto tecnologias, máquinas e soluções voltadas ao agronegócio.
Além dos avanços tecnológicos, a visita proporcionou uma reflexão sobre a trajetória e os desafios de uma empresa familiar. Para Jorge Nishimura, acionista da Jacto, aproximar diferentes gerações é fundamental para compartilhar experiências e preparar quem estará à frente das organizações no futuro. “Eu acho que é excelente a gente poder se comunicar com as novas gerações. Uma das coisas que a gente tem aprendido é a relevância de conectar pelo menos três gerações”, pontua Nishimura.
O acionista da Jacto também valorizou a oportunidade de compartilhar a trajetória da empresa com os participantes. “Fico muito feliz de receber pessoas aqui e a gente poder compartilhar um pouco da nossa história.”, ressaltou.
A conversa trouxe para o centro da experiência um dos temas mais importantes para as novas gerações do agronegócio: a sucessão familiar. Ao conhecer uma empresa que também vivencia os desafios da continuidade entre gerações, os jovens foram estimulados a refletir sobre suas próprias famílias e propriedades.
A reflexão chamou a atenção de Bruno, participante da 13ª turma. Para ele, a visita mostrou que os desafios relacionados à sucessão também passam pelas relações dentro da própria família. “A gente visitou algumas cooperativas, vimos ali na visita da Jacto que, para ele, o principal problema de uma empresa familiar é o problema com a própria família. Então isso foi bom, foi o assunto que mais me chamou atenção porque é uma empresa muito grande, brasileira. Então, ele pediu para nós olharmos para dentro”, contou Bruno.
Ainda em Pompeia, a turma visitou a Fundação Shunji Nishimura, a FATEC e o CITAP, conhecendo iniciativas que aproximam educação, tecnologia e agronegócio. As visitas mostraram aos jovens como conhecimento e inovação são fundamentais para acompanhar as transformações do setor.
Intercooperação que aproxima
No segundo dia, a programação seguiu em Cascavel (PR), onde os jovens conheceram o espaço que recebe o Show Rural Coopavel, uma das principais vitrines de tecnologia e inovação do agronegócio, e acompanharam informações sobre a atuação da cooperativa paranaense .
O contato com a cooperativa também trouxe uma reflexão sobre a importância da intercooperação e da preparação das novas gerações. Para o diretor-presidente da COOPAVEL, Dilvo Grolli, o jovem tem papel fundamental na continuidade das propriedades rurais, mas precisa estar preparado para assumir novas responsabilidades. “O jovem é o sucessor natural, mas ele vai ser um bom sucessor se estiver preparado. E aí as cooperativas, a exemplo da COMIGO, estão trazendo jovens para outras regiões do Brasil para entender o cooperativismo e também criar uma ligação entre as cooperativas do Sul com as cooperativas do Centro-Oeste.”, destacou Grolli.
O dirigente também relacionou a intercooperação à formação de novos líderes e à própria atuação das cooperativas enquanto organizações econômicas e sociais. “Essa intercooperação também, ao mesmo tempo, traz a juventude para se preparar para administrar empresas. As cooperativas são grandes empresas econômicas e também têm o fator social.”, pontuou.
A experiência seguiu para Medianeira (PR), onde a turma conheceu parte dos processos e programas da Cooperativa Lar. A visita permitiu observar outra realidade cooperativista e compreender como diferentes atividades podem contribuir para a geração de oportunidades no campo.
Para Urbano Inácio Frey, 2º vice-presidente da Lar, o intercâmbio entre cooperativas permite ampliar perspectivas e fortalecer o próprio movimento.“É sempre importante quando a gente pode ter esses momentos de contato com pessoas de outros estados, ver outras realidades e onde a gente pode, de alguma forma, estar colaborando para que as cooperativas, que são um movimento tão inclusivo, possam continuar ajudando as pessoas a melhorar a vida delas.”, ressaltou Frey.
A fala reforça que a intercooperação vai além da troca de informações e experiências entre organizações. Ela também está relacionada à geração de oportunidades e ao desenvolvimento das comunidades.
Liderança na prática
O terceiro dia foi dedicado a um treinamento vivencial na região de Cascavel. A atividade uniu aprendizado prático, liderança, trabalho em equipe e propósito cooperativista.
O momento também fortaleceu a integração entre os participantes, aproximando jovens cooperados, filhos de cooperados e cooperados que integram a turma.
Para o jovem cooperado Bruno Subtil Alves, essa foi uma das contribuições da experiência. “A viagem do curso dos jovens cooperativistas serviu para exemplificar na prática e integrar nós, jovens cooperados, filhos de cooperados e alguns cooperados entre si.”, avaliou.
Aprendizados que ficam
No último dia, a turma visitou as Cataratas do Iguaçu, encerrando a jornada com um momento de integração e contemplação.
Depois de quatro dias de visitas, trocas de experiências e atividades práticas, os jovens retornaram com novas referências sobre o agronegócio e o cooperativismo, além de reflexões que ultrapassam o conteúdo técnico.
Para Gabriela Oliveira Moraes, participante da 13ª turma, a experiência foi marcante especialmente pelos aprendizados relacionados à sucessão familiar.“Eu amei! Foi uma experiência muito boa que eu vou levar pra vida toda. A parte que eu mais gostei foi a palestra da sucessão familiar. A paz que ele entregou, a forma que ele conduziu a palestra foi bem interessante. Eu vou levar pra vida todos os ensinamentos.”, afirmou.
A viagem técnica reforçou, assim, um dos principais objetivos do Programa de Formação de Jovens Lideranças Cooperativistas da COMIGO: preparar uma nova geração para participar ativamente do desenvolvimento das propriedades, da Cooperativa e do movimento cooperativista.
Mais do que conhecer novos lugares, os jovens tiveram a oportunidade de conhecer diferentes formas de fazer, ouvir quem já percorreu diferentes caminhos e refletir sobre o caminho que eles próprios poderão construir.
É nesse encontro entre gerações, experiências e realidades que se fortalece a formação de quem estará preparado para liderar o futuro.








