Projeto de mulheres cooperativistas transforma impacto ambiental em ação social

29 de junho de 2026

Projeto de mulheres cooperativistas transforma impacto ambiental em ação social

Com o “Tampas em Movimento”, cerca de 12 toneladas de tampas plásticas foram destinadas para reciclagem, com valor revertido em 45 cadeiras de rodas doadas

 

Por Pedro Cabral

Uma iniciativa da Comissão de Mulheres Cooperativistas da Cooperativa COMIGO tem aliado compromisso social e responsabilidade ambiental em uma ação de caridade. O projeto Tampas em Movimento reúne tampas plásticas de embalagens, realiza a venda para uma empresa de reciclagem e, com o valor arrecadado, realiza a compra de cadeiras de rodas, doadas para pessoas com necessidades especiais.

De acordo com Márcia Vian, produtora rural, cooperativista e uma das organizadoras do projeto, a iniciativa surgiu em janeiro de 2025, em um encontro das Mulheres Cooperativistas. Durante uma palestra sobre consciência ambiental ministrada por Divino Guimarães, presidente da também cooperativa Coop-Recicla, as participantes tiveram a informação de que a tampa plástica é composta por tipos de plásticos mais pesados, que demoram cerca de 400 mil anos para se decompor, algo que sensibilizou o grupo sobre a responsabilidade com o lixo descartado no meio ambiente.

“Após a palestra, nós pensamos: mas o que nós, como um grupo de mulheres cooperativistas, podemos fazer para ajudar o meio ambiente? Então veio essa ideia. Eu já tinha pesquisado alguma coisa sobre a venda desse material e no que a gente poderia transformar”, afirma Márcia, reforçando ainda o aspecto social da ação: “pensamos: vamos arrecadar esse material, fazer a venda e posteriormente comprar as cadeiras de roda para doar. Então esse projeto surgiu dessa necessidade, dessa responsabilidade socioambiental”.

Os números levantados pela comissão impressionam: até hoje, já foram coletadas mais de 12 toneladas de material, o equivalente a cerca de 6 milhões de tampinhas. A coleta é realizada em mais de 20 cidades em Goiás: os pontos estão distribuídos em todas as cidades que possuem lojas agropecuárias da COMIGO e pontos de atendimento do Sicoob Credi-Rural, e as doações podem ser feitas tanto por cooperados quanto pela comunidade.

Com o valor da venda desse material, as Mulheres Cooperativistas já fizeram a doação de 45 cadeiras de rodas, distribuídas para entidades filantrópicas e também para pessoas carentes, justamente nas comunidades onde foi realizada a coleta, ou seja, as cadeiras são distribuídas para as mesmas cidades. Para a realização da doação, a assistente social da COMIGO realiza um processo de pesquisa, cadastro e análise do beneficiário.

E a ação das mulheres cooperativistas não fica apenas na idealização: “em cada cidade, existe uma líder do projeto, representando a comissão, então essa líder movimenta bastante, tanto ela quanto as outras integrantes, recolhendo material, fazendo campanha em escolas, por exemplo, em demais ações na comunidade, e levando até os pontos de recolhimento, então elas são fundamentais”, explica Márcia.

Pequenas tampas fazem grande diferença

Uma das instituições beneficiadas pelo projeto é o Lar dos Idosos São Vicente de Paulo, uma entidade filantrópica sem fins lucrativos que acolhe idosos em regime de residência permanente que recebem assistência integral 24 horas por dia. Atualmente, o Lar atende 41 idosos, dos quais 15 necessitam do uso de cadeira de rodas de forma permanente ou parcial para locomoção e realização das atividades diárias.

“As cadeiras de rodas representam mais conforto, segurança, dignidade e qualidade de vida para os idosos. Elas facilitam a mobilidade, promovem maior participação nas atividades diárias e contribuem para reduzir riscos relacionados à locomoção”, afirma Fabiana Miranda dos Santos Quirino, diretora administrativa do Lar.

Para a instituição, localizada em Santa Helena, ações solidárias como o projeto Tampas em Movimento demonstram a força da união entre a comunidade e as instituições sociais. “Recebemos essas doações com muita gratidão e alegria. Saber que tantas pessoas contribuíram para tornar a vida dos nossos idosos mais confortável e segura, fortalece nossa missão e nos motiva a continuar nosso trabalho”, declara Fabiana.

Intercooperação e princípios cooperativistas

Além de ter nascido em um grupo de mulheres vinculadas à COMIGO e ter apoio do Sicoob Credi-Rural, o projeto também envolve outra cooperativa, a Coop-Recicla, que além de ter fornecido a inspiração, como citado anteriormente, também dá suporte no armazenamento correto do material coletado até a venda para a empresa de reciclagem, um exemplo de como a intercooperação pode fazer entidades de setores diversos trabalharem juntas e obterem êxito em um só propósito.

As cooperativas divulgam a ação em seus eventos, programas e canais de comunicação, buscando aumentar a conscientização das pessoas sobre o projeto e, consequentemente, receber mais materiais, como no Concurso Cultural do Instituto Sicoob, realizado com mais de 50 escolas, onde a cooperativa lançou um desafio para as crianças participantes arrecadarem mais tampinhas. A ação também é divulgada no projeto CooperJovem, em que a COMIGO apadrinha 3 escolas com educação continuada em cooperativismo e demais atividades, também promovendo a coleta na comunidade escolar.

De acordo com Dourivan Cruvinel, presidente executivo da COMIGO, a iniciativa representa a consolidação dos princípios cooperativistas e tem impacto positivo na sociedade. “Para nós é motivo de muito orgulho saber que a comissão das mulheres cooperativistas idealizou um projeto como esse e tem trabalhado firmemente nessa ação, inclusive é com muita honra que a COMIGO dá todo o apoio e suporte necessário”, declara Dourivan, que ainda destaca: “isso mostra o quanto o cooperativismo é dedicado ao compromisso socioambiental e, por ter surgido em um grupo de produtoras rurais, ainda demonstra o quanto o agronegócio é preocupado com as questões ambientais, sendo mais uma das diversas iniciativas do setor em respeito à sustentabilidade”.

O diretor principal do Sicoob Credi-Rural, Armante Campos Guimarães Júnior, cita que o Tampas em Movimento faz referência ao 5º (educação, formação e informação) e ao 7º (interesse pela comunidade) princípios do cooperativismo, pois amplia o conhecimento para o descarte correto dessas tampinhas e gera um grande impacto de contribuição verdadeira com a comunidade.  

“Como cooperativa, acreditamos que nosso papel vai além dos serviços financeiros. Temos a missão de promover o desenvolvimento das pessoas e das comunidades onde atuamos. Ver colaboradores, cooperados e a sociedade engajados nesta causa reforça o verdadeiro significado do cooperativismo: pessoas ajudando pessoas”, afirma o diretor.

O presidente da Coop-Recicla, Divino Guimarães, parabeniza as Mulheres Cooperativistas pela iniciativa, que declara ser de grande relevância para o setor produtivo, valorizando a reciclagem e sustentabilidade. “Essa ação que as pessoas fazem, de separar as tampinhas, pode parecer que é algo pequeno, mas movimenta toneladas de material reciclável e, consequentemente, é de grande impacto no ciclo produtivo e responsabilidade ambiental, e a Coop-Recicla está no projeto para ajudar na destinação correta”, afirma.

O interesse pela comunidade faz o movimento

Para Márcia Vian, os resultados que já começam a aparecer na comunidade são a motivação para o movimento continuar: é uma ação que promove inclusão, acessibilidade e dignidade às pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, mas que também reduz a quantidade de plástico descartada nos aterros, nos rios e ainda reforça a educação ambiental. “É gratificante contribuir para uma iniciativa que transforma tampinhas plásticas em benefícios para quem precisa, gerando impacto social, ambiental e fortalecendo valores como solidariedade, responsabilidade e cooperação. Estamos mostrando que juntas podemos construir uma sociedade mais sustentável e inclusiva”, declara a cooperativista.

O projeto Tampas em Movimento é uma ação contínua e está cada vez mais integrado ao calendário e às atividades do grupo de mulheres e das cooperativas apoiadoras. O objetivo é aumentar as arrecadações para que, dessa forma, consigam ampliar ainda mais a quantidade de cadeiras doadas e de pessoas beneficiadas.