A produção de bovinos de corte no Brasil vem crescendo de forma constante a cada ano, com o objetivo de oferecer carne de alta qualidade e em maior quantidade, impulsionando as exportações. O setor pecuário busca investir em novas tecnologias, finalizar os animais em idades mais jovens, utilizar áreas menores e garantir que a qualidade da carne seja sempre mantida.
A vasta extensão territorial e o clima tropical do Brasil favorecem o crescimento das gramíneas tropicais, tornando as pastagens a principal base alimentar para o gado de corte. Essa fonte é a mais prática e econômica para a nutrição dos bovinos. Assim, melhorar o desempenho animal e otimizar o uso dos recursos forrageiros é o objetivo central das estratégias de manejo adotadas.
Nos dias atuais, a eficiência na engorda do gado é de extrema importância para otimizar a produção pecuária. A Recria Intensiva a Pasto (RIP) tem se destacado como uma estratégia eficaz para aumentar o desempenho dos animais durante a fase de recria, um período crucial no ciclo pecuário que ocorre após a desmama e antes da fase de terminação ou engorda, conhecida como “boi magro”.
Essa estratégia baseia-se em equilibrar a oferta de pasto com um nível elevado de suplementação, os animais recebem de 0,5% a 1,0% do peso vivo em ração, o que demanda menos estrutura (não devemos nos esquecer da necessidade de uma oferta mínima de forragem). Essa combinação tem como objetivo aumentar a taxa de ganho dos animais ao longo do ano, o que, por sua vez, ajuda a reduzir o período médio de recria.
O espaçamento de cocho deve ser semelhante ao utilizado para animais em terminação, aproximadamente 30 a 40 centímetros por cabeça. Além disso, a distribuição adequada do volume de alimento e o fornecimento de água de qualidade são essenciais. Para isso, a propriedade precisa estar bem preparada para a implementação da RIP, pois falhas nessa estrutura podem comprometer os resultados esperados.
O programa de RIP consiste em suplementar os animais em fase de recria, permitindo que ingressem na fase de engorda em um tempo reduzido. Essa abordagem não apenas encurta o ciclo produtivo, mas também acelera o fluxo de caixa e aumenta a densidade de bovinos por hectare.
Vantagens da Recria Intensiva a Pasto
Redução do tempo de recria: com a RIP é possível reduzir o tempo de recria para períodos mais curtos, de 7 a 9 meses. Isso significa que os animais podem ser levados à fase de engorda mais rapidamente, aumentando a rotatividade do rebanho.
- Aumento da lotação por hectare: com a implementação de práticas de manejo adequadas e o uso de suplementação, é possível aumentar a densidade de bovinos por hectare. Isso resulta em maior produtividade da área disponível, o que é crucial em um cenário de crescente demanda por carne bovina.
- Melhoria do ganho de peso: ao fornecer concentrados na dieta, os produtores podem alcançar ganhos de peso mais elevados, que variam entre 0,650 e 1,0 kg por animal por dia. Isso não só melhora o desempenho individual dos animais, mas também contribui para a eficiência geral do sistema de produção.
- Redução de custos: a suplementação pode parecer um custo adicional, mas a economia gerada pela redução do tempo de recria e pela melhoria no ganho de peso muitas vezes supera esses custos. Além disso, animais que crescem mais rapidamente geralmente têm menores custos de manutenção.
- Melhoria na qualidade do rebanho: a RIP, quando associada a uma boa seleção genética, pode resultar em um rebanho mais produtivo e precocemente reprodutivo. Isso é especialmente importante para os pecuaristas que buscam maximizar a eficiência reprodutiva e a qualidade da carne produzida.
Implementação da Recria Intensiva a Pasto
A implementação dessa tecnologia deve ser feita de forma criteriosa, após uma análise detalhada das condições da fazenda. Um dos principais desafios enfrentados na pecuária de corte está justamente na fase de recria, que costuma ser longa e muitas vezes apresenta desempenhos insatisfatórios. A adoção da RIP exige um planejamento cuidadoso e a consideração de vários fatores como:
- Qualidade das pastagens: a qualidade das pastagens deve ser monitorada e manejada adequadamente para garantir que os bovinos tenham acesso a forragem de qualidade.
- Suplementação adequada: a formulação da ração deve ser ajustada de acordo com as necessidades nutricionais dos animais e as características do pasto disponível.
- Monitoramento do desempenho: É fundamental acompanhar o ganho de peso e a saúde dos animais para fazer ajustes na dieta e nas práticas de manejo conforme necessário.
- Capacitação: Os produtores devem ser capacitados sobre as melhores práticas de manejo e nutrição para implementar a RIP de forma eficaz.
Em resumo, a Recria Intensiva a Pasto oferece uma oportunidade valiosa para os pecuaristas brasileiros aumentarem a eficiência de suas operações. Essa prática não só contribui para a sustentabilidade do setor, mas também potencializa a rentabilidade das fazendas. Diante da crescente pressão sobre os recursos naturais e da demanda por carne de alta qualidade, adotar estratégias como a RIP se torna fundamental para garantir um futuro promissor para a pecuária no Brasil.
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